êcalculê

De onde vem cada número

Última atualização: 11 de outubro de 2026

Cada conta do Calculê tem autor, ano e a população em que foi testada. Aqui está tudo, com o link para o original. Assim tu escolhe a equação certa para cada paciente e sabe responder quando perguntarem de onde saiu o número.

MedidoO que tu mede ou digita: peso, altura, dobras, diâmetros, resultado de exame.
EstimadoO que sai de uma equação. Tem erro, e a população de validação mostra em quem ela acerta mais.
AssumidoPonto de partida do app quando falta um dado. Aparece escrito na tela e tu ajusta.

Nos cartões, Conferida no original quer dizer que batemos fórmula e população com o artigo, o resumo indexado ou o documento oficial. População conferida quer dizer que a amostra foi batida com o original e os coeficientes seguem a compilação da área. Referência clássica é livro, tese ou artigo antigo fora das bases on-line, citado como aparece nas compilações.

Gasto energético

O app calcula a taxa metabólica basal (TMB) pela equação que tu escolher e multiplica pelo nível de atividade. A EER já entrega o gasto do dia inteiro. Tudo nesta seção é estimado. Peso em kg, altura em cm, idade em anos, MLG = massa livre de gordura em kg. Resultado em kcal por dia.

Mifflin-St Jeor (1990)

Conferida no original
Homens: 10 × peso + 6,25 × altura − 5 × idade + 5Mulheres: 10 × peso + 6,25 × altura − 5 × idade − 161

Validada em: 498 adultos saudáveis (251 homens, 247 mulheres), de 19 a 78 anos, 264 com peso normal e 234 com obesidade. Gasto de repouso medido por calorimetria indireta.

Mifflin MD, St Jeor ST, Hill LA, Scott BJ, Daugherty SA, Koh YO. A new predictive equation for resting energy expenditure in healthy individuals. Am J Clin Nutr. 1990;51(2):241-7. doi:10.1093/ajcn/51.2.241

Harris-Benedict (1919)

Conferida no original
Homens: 66,47 + 13,75 × peso + 5,003 × altura − 6,755 × idadeMulheres: 655,1 + 9,563 × peso + 1,85 × altura − 4,676 × idade

Validada em: 136 homens e 103 mulheres adultos saudáveis, medidos no começo do século 20. No estudo de Mifflin (1990), superestimou o gasto medido em 5%.

Harris JA, Benedict FG. A biometric study of basal metabolism in man. Washington: Carnegie Institution of Washington; 1919 (Publicação nº 279). Versão resumida: Proc Natl Acad Sci USA. 1918;4(12):370-3. doi:10.1073/pnas.4.12.370

Cunningham (1980)

Conferida no original
500 + 22 × MLG

Validada em: reanálise de 223 pessoas da base de Harris e Benedict. A massa magra sozinha explicou o gasto, e sexo e idade acrescentaram pouco.

MLG: vem da tua avaliação por dobras ou do valor que tu digita. Sem nenhum dos dois, o app assume 80% do peso e mostra isso na tela (assumido).

Cunningham JJ. A reanalysis of the factors influencing basal metabolic rate in normal adults. Am J Clin Nutr. 1980;33(11):2372-4. doi:10.1093/ajcn/33.11.2372

Tinsley (2018) – peso

Conferida no original
24,8 × peso + 10

Validada em: 27 atletas de físico musculosos (17 homens, 10 mulheres), gasto de repouso por calorimetria indireta, validação cruzada deixando um de fora. Os próprios autores pedem validação em outros grupos.

Tinsley GM, Graybeal AJ, Moore ML. Resting metabolic rate in muscular physique athletes: validity of existing methods and development of new prediction equations. Appl Physiol Nutr Metab. 2019;44(4):397-406 (on-line em 2018). doi:10.1139/apnm-2018-0412

Henry (2005) – Oxford, só peso

Conferida no original
Homens: até 29 anos 16,0 × peso + 545 · 30 a 59: 14,2 × peso + 593 · 60 ou mais: 13,5 × peso + 514Mulheres: até 29 anos 13,1 × peso + 558 · 30 a 59: 9,7 × peso + 694 · 60 ou mais: 10,1 × peso + 569

Validada em: 10.552 medidas de TMB, sem os italianos que pesavam na base de Schofield e com 4.018 pessoas dos trópicos. É a equação que o comitê de nutrição do Reino Unido adotou em 2011. Feita para adultos: abaixo de 18 anos o app avisa.

Henry CJK. Basal metabolic rate studies in humans: measurement and development of new equations. Public Health Nutr. 2005;8(7A):1133-52. doi:10.1079/PHN2005801. Coeficientes em kcal: Scientific Advisory Committee on Nutrition (SACN). Dietary Reference Values for Energy. London: TSO; 2011, tabela 19.

Schofield (1985)

Conferida no original
Homens: até 29 anos 15,057 × peso + 692,2 · 30 a 59: 11,472 × peso + 873,1 · 60 ou mais: 11,711 × peso + 587,7Mulheres: até 29 anos 14,818 × peso + 486,6 · 30 a 59: 8,126 × peso + 845,6 · 60 ou mais: 9,082 × peso + 658,5

Validada em: compilação de 7.173 medidas de TMB, 3.388 delas (47%) de italianos e poucas de pessoas dos trópicos. Em vários grupos atuais, tende a dar gasto acima do medido (Henry, 2005). Feita para adultos: abaixo de 18 anos o app avisa.

Schofield WN. Predicting basal metabolic rate, new standards and review of previous work. Hum Nutr Clin Nutr. 1985;39 Suppl 1:5-41. Coeficientes em kcal como publicados pela FAO e reproduzidos em SACN 2011, tabela 17.

FAO/OMS/ONU (1985)

Conferida no original
Homens: até 29 anos 15,3 × peso + 679 · 30 a 59: 11,6 × peso + 879 · 60 ou mais: 13,5 × peso + 487Mulheres: até 29 anos 14,7 × peso + 496 · 30 a 59: 8,7 × peso + 829 · 60 ou mais: 10,5 × peso + 596

Validada em: derivadas da base que Schofield montou para a consulta conjunta da FAO, da OMS e da ONU, com diferença desprezível para as equações dele, como diz a nota da tabela 5. Feita para adultos: abaixo de 18 anos o app avisa.

FAO/WHO/UNU. Energy and protein requirements. Report of a joint FAO/WHO/UNU expert consultation. Geneva: World Health Organization; 1985 (Technical Report Series, 724), tabela 5.

Katch-McArdle (Cunningham, 1991)

Conferida no original
370 + 21,6 × MLG

Validada em: revisão que juntou estudos de gasto de repouso e composição corporal em adultos de pesos variados. A equação explicou de 65% a 90% da variação do gasto. Katch-McArdle é o nome de uso corrente desta equação.

MLG: como na Cunningham (1980). Sem medida, 80% do peso (assumido).

Cunningham JJ. Body composition as a determinant of energy expenditure: a synthetic review and a proposed general prediction equation. Am J Clin Nutr. 1991;54(6):963-9. doi:10.1093/ajcn/54.6.963

EER – NASEM (2023)

Conferida no original

Dá o gasto total do dia, sem passar pela TMB. Tem uma equação por categoria de atividade, para adultos de 19 anos ou mais. O nível que tu escolhe na tela cai na categoria pelo PAL: inativo abaixo de 1,53; pouco ativo de 1,53 a menos de 1,68; ativo de 1,68 a menos de 1,85; muito ativo de 1,85 a menos de 2,50.

CategoriaHomensMulheres
Inativo753,07 − 10,83 × idade + 6,50 × altura + 14,10 × peso584,90 − 7,01 × idade + 5,72 × altura + 11,71 × peso
Pouco ativo581,47 − 10,83 × idade + 8,30 × altura + 14,94 × peso575,77 − 7,01 × idade + 6,60 × altura + 12,14 × peso
Ativo1.004,82 − 10,83 × idade + 6,52 × altura + 15,91 × peso710,25 − 7,01 × idade + 6,54 × altura + 12,34 × peso
Muito ativo−517,88 − 10,83 × idade + 15,61 × altura + 19,11 × peso511,83 − 7,01 × idade + 9,07 × altura + 12,56 × peso

Validada em: bases de gasto total medido por água duplamente marcada, analisadas pelo comitê das National Academies. Substituiu a EER de 2005.

National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. Dietary Reference Intakes for Energy. Washington, DC: The National Academies Press; 2023. doi:10.17226/26818. Coeficientes como publicados pela Health Canada, que adotou o relatório (página de 19/11/2025).

Nível de atividade

Assumido
Sedentário 1,2 · Leve 1,375 · Moderado 1,55 · Intenso 1,725 · Muito intenso 1,9

Multiplicam a TMB para chegar ao gasto do dia. São os fatores de uso corrente na prática clínica e não vêm de um estudo de validação único. Por isso o app trata o resultado como estimativa e tu confere pelo peso nas consultas seguintes.

A sugestão que aparece pela rotina segue os dias de treino marcados: sem exercício, 1,2; 1 a 2 dias, 1,375; 3 a 5 dias, 1,55; 6 a 7 dias, 1,725; 5 dias ou mais com dois treinos em cada dia, 1,9. É ponto de partida, a escolha é tua.

Objetivo e macronutrientes

Referência clássica

O ajuste do objetivo (de −40% a +40% do gasto) e a proteína e a gordura em g/kg são escolha tua. O carboidrato é o que sobra das calorias, contando 4 kcal por grama de proteína e de carboidrato e 9 kcal por grama de gordura (fatores gerais de Atwater). O carboidrato é sempre o disponível, sem a fibra.

FAO. Food energy – methods of analysis and conversion factors. Rome: FAO; 2003 (Food and Nutrition Paper, 77).

Composição corporal

Medido: as dobras, os perímetros e os diâmetros. Estimado: o percentual de gordura (%G) e as massas que saem dele. O app soma as dobras pedidas pela equação escolhida, calcula a densidade do corpo (D) e converte em %G. Dobras em mm. O erro do método de dobras fica em torno de 3 a 4 pontos de %G.

Pollock 7 dobras (1978 e 1980)

População conferida

Dobras: peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, supra-ilíaca e coxa.

Homens: D = 1,112 − 0,00043499 × Σ7 + 0,00000055 × Σ7² − 0,00028826 × idadeMulheres: D = 1,097 − 0,00046971 × Σ7 + 0,00000056 × Σ7² − 0,00012828 × idade%G por Siri

Validada em: densidade corporal medida em laboratório (nas mulheres, por pesagem hidrostática). Homens: 308 de 18 a 61 anos, com validação cruzada em mais 95. Mulheres: 249 de 18 a 55 anos, de 4% a 44% de gordura, com validação cruzada em mais 82. Os autores pedem cuidado em mulheres acima dos 40 anos.

Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152 · Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Med Sci Sports Exerc. 1980;12(3):175-81.

Pollock 3 dobras (1978 e 1980)

População conferida
Homens (peitoral, abdominal, coxa): D = 1,1093800 − 0,0008267 × Σ3 + 0,0000016 × Σ3² − 0,0002574 × idadeMulheres (tríceps, supra-ilíaca, coxa): D = 1,0994921 − 0,0009929 × Σ3 + 0,0000023 × Σ3² − 0,0001392 × idade%G por Siri

Validada em: as mesmas amostras do Pollock 7. Nas mulheres, erro padrão de 3,6 a 4,0 pontos de %G.

Mesmos artigos do Pollock 7.

Reilly (2009) – futebol

População conferida
%G = 5,174 + 0,124 × coxa + 0,147 × abdominal + 0,196 × tríceps + 0,130 × panturrilha

Validada em: 45 jogadores profissionais de futebol, 24 ± 5 anos, 82 kg e 1,82 m em média, com DEXA como referência. Explica 78,4% da variação do %G. Feita para jogador de futebol: fora desse grupo, prefere outra.

Reilly T, George K, Marfell-Jones M, Scott M, Sutton L, Wallace JA. How well do skinfold equations predict percent body fat in elite soccer players? Int J Sports Med. 2009;30(8):607-13. doi:10.1055/s-0029-1202353

Durnin e Womersley (1974)

População conferida

Dobras: bíceps, tríceps, subescapular e supra-ilíaca. D = c − m × log₁₀(Σ4), com c e m por sexo e idade:

IdadeHomens cmMulheres cm
até 191,16200,06301,15490,0678
20 a 291,16310,06321,15990,0717
30 a 391,14220,05441,14230,0632
40 a 491,16200,07001,13330,0612
50 ou mais1,17150,07791,13390,0645

Validada em: 481 homens e mulheres de 16 a 72 anos, com densidade corporal medida. Tem coeficientes para cada faixa de idade. %G por Siri.

Durnin JVGA, Womersley J. Body fat assessed from total body density and its estimation from skinfold thickness: measurements on 481 men and women aged from 16 to 72 years. Br J Nutr. 1974;32(1):77-97. doi:10.1079/BJN19740060

Yuhasz ("Faulkner", 1968)

Referência clássica
%G = 0,153 × Σ4 + 5,783 (tríceps, subescapular, supra-ilíaca e abdominal)

Validada em: a fórmula conhecida como "de Faulkner" é de Yuhasz, que juntou coeficientes de equações próprias feitas em homens jovens e adultos. Não há registro de que Faulkner tenha criado equação para nadadores. A revisão de Pires Neto e Glaner considera a fórmula razoável só para homens jovens treinados.

Faulkner JA. Physiology of swimming and diving. In: Falls HB, editor. Exercise physiology. Academic Press; 1968. · Pires Neto CS, Glaner MF. "Equação de Faulkner" para predizer a gordura corporal: o fim de um mito. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2007;9(2):207-13.

Guedes (1985)

População conferida
Homens (tríceps, supra-ilíaca, abdominal): D = 1,17136 − 0,06706 × log₁₀(Σ3)Mulheres (coxa, supra-ilíaca, subescapular): D = 1,16650 − 0,07063 × log₁₀(Σ3)%G por Siri

Validada em: 206 universitários brasileiros (110 homens, 96 mulheres), de 17 a 27 anos, com densidade corporal medida.

Guedes DP. Estudo da gordura corporal através da mensuração dos valores de densidade corporal e da espessura de dobras cutâneas em universitários. Kinesis. 1985;1(2). periodicos.ufsm.br/kinesis/article/view/8617

Slaughter (1988)

Referência clássica
Meninos: %G = 0,735 × (tríceps + panturrilha) + 1,0Meninas: %G = 0,610 × (tríceps + panturrilha) + 5,1

Validada em: crianças e jovens de 8 a 29 anos, em vários estágios de maturação, com critério de vários compartimentos. Numa validação independente com 122 jovens de 8 a 17 anos, o erro ficou entre 3,5 e 4,6 pontos de %G, e a versão das meninas com tríceps e panturrilha se afastou do critério.

Slaughter MH, Lohman TG, Boileau RA, Horswill CA, Stillman RJ, Van Loan MD, Bemben DA. Skinfold equations for estimation of body fatness in children and youth. Hum Biol. 1988;60(5):709-23. · Janz KF, Nielsen DH, Cassady SL, Cook JS, Wu YT, Hansen JR. Cross-validation of the Slaughter skinfold equations for children and adolescents. Med Sci Sports Exerc. 1993;25(9):1070-6.

Siri (1961) – densidade em %G

Referência clássica
%G = 495 ÷ D − 450

Usada no Pollock 7, no Pollock 3, em Durnin e Womersley e em Guedes. Reilly, Yuhasz e Slaughter já dão o %G direto.

Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brozek J, Henschel A, editors. Techniques for measuring body composition. Washington, DC: National Academy of Sciences; 1961.

Massas óssea, residual e muscular

Referência clássica
Óssea = 3,02 × (altura² × punho × fêmur × 400)^0,712 – altura e diâmetros em metrosResidual = 24,1% do peso nos homens · 20,9% nas mulheresMuscular = peso − gordura − óssea − residual

A massa óssea pede os diâmetros biestiloide (punho) e bicondiliano do fêmur. Sem eles, o app mostra só gordura e massa magra, e avisa que massa magra inclui osso, água e órgãos.

Óssea: Von Döbeln W (1956), modificada por Rocha MSL. Peso ósseo do brasileiro de ambos os sexos de 17 a 25 anos. Arquivos de Anatomia e Antropologia; 1975. · Residual: Würch A. La femme et le sport. Médecine du Sport Française; 1974. · Muscular: modelo de quatro componentes de De Rose EH e Guimarães ACS. In: Kinanthropometry II; 1980.

Bioimpedância

Medido pelo aparelho

O app só anota o que a balança mostrou e não recalcula nada. A equação é a do fabricante. Hidratação, jejum, ciclo menstrual e treino recente mudam o resultado, então compara só medidas feitas nas mesmas condições.

IMC, cintura-quadril e cintura-estatura

Medido: peso, altura, cintura e quadril. Calculado: os três índices, com a classificação da referência de cada um. O app classifica o valor exato. Quando o número arredondado cai em cima de um corte, a tela mostra mais uma casa: 68 kg e 165 cm dão IMC 24,98, peso adequado, e não 25,0. As relações usam o perímetro da cintura, não o do abdômen.

IMC de adultos – OMS (2000)

Conferida no original
IMC = peso (kg) ÷ altura² (m)
ClassificaçãoIMC (kg/m²)
Baixo pesoabaixo de 18,5
Peso adequado18,5 a 24,9
Sobrepeso25,0 a 29,9
Obesidade grau I30,0 a 34,9
Obesidade grau II35,0 a 39,9
Obesidade grau III40,0 ou mais

Vale para: adultos de 20 a 59 anos, dos dois sexos. Os cortes são os da Tabela 2.1 da OMS, que dá os limites com duas casas (peso adequado vai de 18,50 a 24,99). A faixa de idade é a que o Ministério da Saúde usa no SISVAN. Abaixo dos 20 anos, o IMC se classifica pela curva de IMC para a idade da OMS (2007), que o Calculê não traz. Não vale para gestante. O IMC não separa gordura de músculo: em atleta com muita massa magra, ele passa de 25 sem excesso de gordura, e a composição corporal pelas dobras diz mais.

World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation. Geneva: WHO; 2000. (WHO Technical Report Series, 894). Tabela 2.1. iris.who.int/handle/10665/42330 · Brasil. Ministério da Saúde. Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do SISVAN. Brasília: Ministério da Saúde; 2011. Quadro 16.

IMC a partir dos 60 anos – Lipschitz (1994)

Conferida no original
ClassificaçãoIMC (kg/m²)
Baixo peso≤ 22
Peso adequado> 22 e < 27
Sobrepeso≥ 27

Vale para: pessoas com 60 anos ou mais. Os cortes são mais altos que os do adulto porque, com a idade, a estatura diminui, a massa muscular cai e a gordura muda de lugar. Conferimos os pontos de corte no Quadro 18 do documento do Ministério da Saúde, que cita a Nutrition Screening Initiative (1994). O artigo de Lipschitz não tem texto aberto na internet.

Lipschitz DA. Screening for nutritional status in the elderly. Prim Care. 1994;21(1):55-67. PMID 8197257. · Brasil. Ministério da Saúde. Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do SISVAN. Brasília: Ministério da Saúde; 2011. Quadro 18. bvsms.saude.gov.br

Relação cintura-quadril – OMS (2008)

Conferida no original
RCQ = cintura (cm) ÷ quadril (cm)
SexoRisco muito aumentado
Homens0,90 ou mais
Mulheres0,85 ou mais

A partir do corte, o relatório classifica o risco de complicações metabólicas como "substancialmente aumentado", que o app escreve "risco muito aumentado". Abaixo do corte, o relatório não dá classe, e o app escreve só "abaixo do ponto de corte".

Como medir: cintura no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, no fim de uma expiração normal; quadril na maior circunferência das nádegas. Fita paralela ao chão, sem apertar, com a pessoa em pé, pés juntos e braços ao lado do corpo.

Vale para: adultos; o app classifica a partir dos 18 anos. O relatório diz que é difícil fixar cortes por etnia. Para a América do Sul, os estudos que ele revisou sugerem cortes de RCQ parecidos com os dos europeus.

World Health Organization. Waist circumference and waist-hip ratio: report of a WHO expert consultation, Geneva, 8-11 December 2008. Geneva: WHO; 2011. Anexo A, Tabela A1; como medir, seções 2.5 e 5.2. iris.who.int/handle/10665/44583

Relação cintura-estatura – Ashwell (2012 e 2016)

Conferida no original
RCE = cintura (cm) ÷ altura (cm)
RCEClassificação
abaixo de 0,50Sem risco aumentado
0,50 a 0,59Risco aumentado
0,60 ou maisRisco muito alto

Validada em: a meta-análise de 2012 juntou 31 estudos, com mais de 300 mil adultos de vários grupos étnicos, e achou a RCE melhor que o IMC e que a cintura sozinha para apontar hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia, síndrome metabólica e doença cardiovascular, nos dois sexos. Os cortes de 0,5 e 0,6 são os do artigo de 2016, com 1.453 adultos do inquérito nacional de dieta do Reino Unido. Para o paciente, a regra cabe numa frase: a cintura deve ficar abaixo da metade da altura. O app classifica a partir dos 18 anos.

Ashwell M, Gunn P, Gibson S. Waist-to-height ratio is a better screening tool than waist circumference and BMI for adult cardiometabolic risk factors: systematic review and meta-analysis. Obes Rev. 2012;13(3):275-86. doi:10.1111/j.1467-789X.2011.00952.x · Ashwell M, Gibson S. Waist-to-height ratio as an indicator of 'early health risk': simpler and more predictive than using a 'matrix' based on BMI and waist circumference. BMJ Open. 2016;6(3):e010159. doi:10.1136/bmjopen-2015-010159

Água

Água no dia e por hora de treino

Assumido
Base do dia: 40 ml × peso, arredondado de 100 em 100 mlTreino: 500 ml por hora, de 0 a 2.000 ml

Os dois são pontos de partida de consultório, sem uma equação validada por trás, e tu ajusta os dois na tela. Para comparar: a EFSA define ingestão adequada de 2,0 litros de água total por dia para mulheres e 2,5 litros para homens, somando bebidas e a água dos alimentos, em clima ameno e atividade moderada.

No treino, a perda de suor muda muito de uma pessoa para outra. O ACSM recomenda medir: pesar antes e depois do treino e evitar perder mais de 2% do peso.

EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies. Scientific Opinion on Dietary Reference Values for water. EFSA J. 2010;8(3):1459. doi:10.2903/j.efsa.2010.1459 · Sawka MN, Burke LM, Eichner ER, Maughan RJ, Montain SJ, Stachenfeld NS. American College of Sports Medicine position stand. Exercise and fluid replacement. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(2):377-90. doi:10.1249/mss.0b013e31802ca597

Micronutrientes

O semáforo compara o total do plano com a RDA de cada nutriente, ou com a AI quando não existe RDA, pelo sexo e pela idade do paciente. O sódio é comparado com o teto de redução de risco (CDRR). Abaixo de 9 anos o semáforo não aparece.

Valores que o app usa: RDA, ou AI onde indicado, homens / mulheres, por faixa de idade em anos. No sódio, o teto vale para os dois sexos.

Nutriente9 a 1314 a 1819 a 3031 a 5051 a 70acima de 70
Cálcio (mg)1.300 / 1.3001.300 / 1.3001.000 / 1.0001.000 / 1.0001.000 / 1.2001.200 / 1.200
Ferro (mg)8 / 811 / 158 / 188 / 188 / 88 / 8
Zinco (mg)8 / 811 / 911 / 811 / 811 / 811 / 8
Magnésio (mg)240 / 240410 / 360400 / 310420 / 320420 / 320420 / 320
Fósforo (mg)1.250 / 1.2501.250 / 1.250700 / 700700 / 700700 / 700700 / 700
Potássio (mg) · AI2.500 / 2.3003.000 / 2.3003.400 / 2.6003.400 / 2.6003.400 / 2.6003.400 / 2.600
Sódio (mg) · teto CDRR1.8002.3002.3002.3002.3002.300
Vitamina A (µg RAE)600 / 600900 / 700900 / 700900 / 700900 / 700900 / 700
Vitamina C (mg)45 / 4575 / 6590 / 7590 / 7590 / 7590 / 75
Tiamina (B1) (mg)0,9 / 0,91,2 / 1,01,2 / 1,11,2 / 1,11,2 / 1,11,2 / 1,1
Riboflavina (B2) (mg)0,9 / 0,91,3 / 1,01,3 / 1,11,3 / 1,11,3 / 1,11,3 / 1,1
Vitamina B6 (mg)1,0 / 1,01,3 / 1,21,3 / 1,31,3 / 1,31,7 / 1,51,7 / 1,5
Niacina (mg)12 / 1216 / 1416 / 1416 / 1416 / 1416 / 14
Folato (µg)300 / 300400 / 400400 / 400400 / 400400 / 400400 / 400
Vitamina B12 (µg)1,8 / 1,82,4 / 2,42,4 / 2,42,4 / 2,42,4 / 2,42,4 / 2,4
Vitamina D (µg)15 / 1515 / 1515 / 1515 / 1515 / 1520 / 20
Selênio (µg)40 / 4055 / 5555 / 5555 / 5555 / 5555 / 55

National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. Dietary Reference Intakes for Sodium and Potassium. Washington, DC: The National Academies Press; 2019. doi:10.17226/25353. Apêndice J: tabelas-resumo com os valores vigentes de todos os nutrientes.

Exames laboratoriais

A faixa marca o resultado como abaixo, na faixa ou acima. Se o teu laboratório usa outra faixa, toca nela no app e grava a tua. Ela passa a valer para todos os teus pacientes.

Faixa com fonte nomeada: batemos o número com a diretriz, o documento oficial ou o resumo indexado do artigo em outubro de 2026. "Faixa usual de laboratório": não existe uma fonte única, porque muda com o método e o kit. Confere com o teu laboratório: vale a do laudo.

ExameFaixa usadaFonte
Glicemia e insulina
Glicemia de jejum70 a 99 mg/dL · normal abaixo de 100; o piso de 70 é faixa usual de laboratórioSBD 2024
Hemoglobina glicadaaté 5,6% · normal abaixo de 5,7SBD 2024
Insulina de jejum2,6 a 24,9 µUI/mLfaixa usual de laboratório
HOMA-IRaté 2,7 · glicemia (mg/dL) × insulina (µUI/mL) ÷ 405BRAMS, Geloneze 2009
Lipídios
Colesterol totalaté 189 mg/dL (desejável abaixo de 190)SBC 2025
HDLa partir de 41 mg/dL (desejável acima de 40)SBC 2025
LDLaté 114 mg/dL · meta do risco baixo; menor com risco maiorSBC 2025
Não-HDLaté 144 mg/dL · meta do risco baixo · colesterol total − HDLSBC 2025
Triglicerídeosaté 149 mg/dL em jejum; sem jejum, abaixo de 175SBC 2025
Fígado
TGO (AST)até 37 U/L homens · 31 mulheresfaixa usual de laboratório
TGP (ALT)até 40 U/L homens · 30 mulheresfaixa usual de laboratório
Gama-GT11 a 50 U/L homens · 7 a 32 mulheresfaixa usual de laboratório
Rins
Creatinina0,70 a 1,30 mg/dL homens · 0,60 a 1,10 mulheresfaixa usual de laboratório
Ureia10 a 50 mg/dLfaixa usual de laboratório
Ácido úrico3,5 a 7,2 mg/dL homens · 2,0 a 6,0 mulheresfaixa usual de laboratório
Tireoide
TSH0,40 a 4,50 mUI/L em adultos · idosos e crianças têm faixa própriaSBEM 2013
T4 livre0,70 a 1,80 ng/dLfaixa usual de laboratório
Vitaminas e minerais
Vitamina D (25-OH)normal de 20 a 60 ng/mL; acima de 30 em grupos de risco; acima de 100, risco de intoxicação · o app marca abaixo de 20 e acima de 100SBEM e SBPC/ML 2020
Vitamina B12a partir de 200 pg/mLcorte usual, sem consenso
Ácido fólicoa partir de 3 ng/mL · abaixo de 3, deficiência pelo critério da anemia, e de 3 a 5,9, possível deficiência; pela homocisteína, deficiência abaixo de 4 · corte feito para população, usado aqui como referência individualOMS 2015
Ferritina15 a 200 ng/mL homens · 15 a 150 mulheres · com inflamação, deficiência abaixo de 70 · acima do teto, risco de sobrecarga (para mulheres que não menstruam, a OMS usa 200)OMS 2020
Ferro sérico50 a 170 µg/dLfaixa usual de laboratório
Zincoa partir de 74 µg/dL homens · 70 mulheres · 10 anos ou mais, jejum, pela manhã · corte feito para população, usado aqui como referência individualHotz 2003, adotado pelo IZiNCG
Magnésio1,7 a 2,5 mg/dLfaixa usual de laboratório
Cálcio total8,5 a 10,5 mg/dLfaixa usual de laboratório
Sódio135 a 145 mEq/Lfaixa usual de laboratório
Potássio3,5 a 5,1 mEq/Lfaixa usual de laboratório
Hemograma e inflamação
Hemoglobinaa partir de 13 g/dL homens · 12 mulheres não grávidas · de 15 a 65 anos · anemia abaixo dissoOMS 2024
Hematócrito40 a 52% homens · 36 a 46% mulheresfaixa usual de laboratório
PCR ultrassensívelaté 1,9 mg/L · a partir de 2, agrava o risco cardiovascularSBC 2025

Alimentos

TACO 4ª ed. (NEPA/UNICAMP)

Tabela oficial

597 alimentos, valores por 100 g. O app usa o carboidrato disponível: o total publicado menos a fibra. Os alimentos em que a TACO não publica os macronutrientes ficam fora da busca e das trocas.

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA/UNICAMP). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos – TACO. 4ª ed. revisada e ampliada. Campinas: NEPA/UNICAMP; 2011.

Os demais alimentos da busca vêm de outras tabelas brasileiras de composição de instituições públicas, com a fonte de cada alimento identificada dentro do app. Na lista curta de mais usados, alguns itens vêm do rótulo do fabricante, de receita ou de estimativa própria quando a tabela não tem o alimento. Os alimentos que tu cadastra usam os valores que tu digitou.

Achou um número que não bate com a fonte? Manda para atendimento@calculeapp.com.br com o nome da equação ou do exame. A gente confere no original e corrige.

As equações estimam. A decisão clínica é tua, como dizem os Termos de Uso.

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